Entrevista: Leonardo Gonçalves


Duranta a realização do 2º Encontro de Mídias e Lojistas da Sony Music em São Paulo, o News Gospel, representado por Matheus Pessanha, bateu um papo com Leonardo Gonçalves. O cantor falou sobre a nova fase que estará iniciando em sua vida e carreira. Nessa mesma noite, recebeu uma premiação da gravadora por mais de 50 milhões de acessos em vídeos no seu canal da VEVO do YouTube, além de fazer um dueto com Paulo César Baruk na canção "Santo Espírito" (Holy Spirit). Confira abaixo como foi nossa entrevista! 

 Fazer uma pausa na carreira, estando no auge, não é algo comum de se ver hoje em dia, onde muitos buscam estar em evidência. O que realmente te fez decidir parar?

 É muito difícil responder essa pergunta, pois uma das minhas maiores preocupações é não parecer ingrato. Eu reconheço tudo que Deus fez na minha vida, tudo que ele tem feito na minha vida e eu sou grato. Eu estou com vontade de fazer isso já faz um tempinho. Pelo menos 2011, 2012. E também, minha família toda mora no exterior, eu sou o único que mora no Brasil. Isso influenciou um pouco. Eu não tenho nenhum vínculo familiar, além do trabalho aqui. Claro que tenho desejo de gravar projetos internacionais. Um dia irei gravar meu projeto em inglês, mas não pensando em ter uma carreira internacional, porque eu acho que se ninguém conseguiu antes de mim, não sou eu que vou conseguir. Seria muita pretensão minha achar isso. 

Ao mesmo tempo, justamente estar na fase em que eu estou, é o que me dá condição. Então, não é muito comum, mas no meio de música popular tem exemplos muito mais radicais, inclusive. A Adele sumiu por 4 anos. Ela renunciou uma turnê que ela ia ganhar $450.000.000 de dólares, porque queria ficar com o filho. No caso, eu não tenho um motivo assim. Meu motivo é muito simples, também queria dizer isso, sem que fosse mistificado. Eu comecei a cantar na igreja com 15 anos de idade. Eu completo 37 neste ano e 22 anos de estrada. E a estrada é maravilhosa, mas ela cansa. Tenho milhares de histórias pra contar, de milagres que Deus fez, de maneiras com que Ele atuou, e eu me sinto plenamente realizado. 

Não tenho revolta com a indústria. Tenho um relacionamento incrível com a gravadora, que nunca esteve melhor. O motivo é realmente o cansaço. A bíblia recomenda você trabalhar por sete anos e descansar um. Eu já estou a 22 anos e já passei 3 Sabáticos (risos) sem descansar. Uma vez eu perguntei pro meu pastor: “Que o povo de Israel fazia no sétimo ano? ”aí ele “Eles tomavam esse tempo pra estudar a palavra de Deus”. Eu tô querendo imitar um pouco isso. Ano que vem meu plano é ir para Israel, estudar Hebraico Bíblico. Eu quero ter uma noção, contato direto com o texto da Bíblia exata. É um objetivo ousado, mas possível para um ano em Israel.


 Essa pausa vai durar mais de um ano? Você vai deixar com que os fatos ocorram naturalmente? 

A dificuldade é o seguinte: Eu tenho muitos planos, projetos que eu ainda não fiz. Vontade de fazer muita coisa na área da música. Quando você para por um ano, muita coisa pode acontecer. Eu não posso prometer que eu vou voltar, porque não cabe a mim, há um direcionamento divino também. Também não posso prometer que eu não vou voltar. O assunto não é o que vai acontecer em 2018, mas sim em 2017. De qualquer forma, eu voltando, vou aproveitar esse ano sabático pra mudar algumas coisas que talvez eu hoje não tenha força, energia ou clareza mental pra mudar. Se/Quando eu voltar, eu vou voltar mudado (risos). 

É importante dizer que não é um direcionamento, não foi um sonho pra eu fazer outra coisa, é uma coisa que eu to pedindo pra Deus. A iniciativa está vindo de mim. Eu que estou cansado. Eu que cheguei pra Deus e falei “Senhor, tá difícil pra mim, me da esse ano”, e até agora eu sinto que Ele não está se opondo. 

Vou aproveitar pra fazer trabalho voluntário também em Israel. Eu sinto que Deus já está preparando o caminho pra mim, de eu ser útil lá. Mas eu queria ser útil em outra coisa sem ser a música. 


 Então lá você não tem propósito de cantar? 

Não estou dizendo que não vou cantar. Eu só não queria que minha atividade principal fosse cantar. Eu queria ser professor, meu plano original era esse. Mas eu amo ser cantor, amo cantar. Isso não é o problema. Realmente, a melhor maneira de descrever é cansaço e eu preciso tempo pra manter minha sanidade e pra manter o foco, talvez a clareza. Acho que vai ser bom pra mim. 


Você tem uma agenda bem cheia esse ano né?

 Esse ano, todos os compromissos agendados eu vou cumprir. É que eu trabalho com uma agenda anual. Eu to anunciando no começo do ano, que no outro ano não vai ter. Tem a turnê inteira “Princípio”, que a gente tinha planejado fazer em 20 cidades, mas já está em 24 e provavelmente vamos fazer em mais cidades, por causa da demanda mesmo.

Tem o Loop Sessions Friends, que acontece durante a semana junto a turnê “Princípio”, e tem as minhas agendas normais nos finais que semana, que continuam livres pras igrejas que querem me convidar.


 Vez ou outra, você publica em sua pagina no Face, opiniões a respeito de assuntos polêmicos. A questão é que algumas horas depois você apaga o post. Qual o motivo desse ato? Já que você postou, expôs sua opinião, e mesmo que apague a fim de não gerar polêmica, você deve notar que desde o momento em que é publicada, consequentemente vai gerar.

 Não, não. Eu apago, consciente. Eu posto sabendo que vou apagar. Eu não apago porque deu ruim. Eu apago porque eu não quero que aquela discussão continue na minha página. Principalmente porque as discussões, assuntos polêmicos não costumam ser saudáveis. Como eu não tenho condição de ficar monitorando as besteiras que as pessoas tão falando, eu deixo lá. Leio, respondo e tento direcionar. Eu entendo que eu tenha um possível chamado pedagógico nesse sentido de alertar as pessoas em relação a alguns assuntos. Eu não acho que eu tenho que opinar a respeito de tudo, mas eu escolho (claro que há quem discorde de mim) conscientemente as brigas que eu compro. 

Eu posto, fica lá de seis a doze horas, não bloqueio, não deleto comentário e eu respondo mesmo e ai eu tiro. Porque eu não tenho condição de acompanhar e porque não é uma discussão saudável. Esse é o tempo que nós vivemos, as discussões tendem a ser não saudáveis. 

Eu não deleto porque tenho problema com críticas, eu não tenho problema com críticas. As pessoas da minha página sabem. Pode me criticar abertamente. A única coisa que não pode fazer é criticar a minha família e os meus amigos próximos. Aí você vai ser bloqueado. É o único critério. O cara pra ser bloqueado por mim, por ter falado alguma coisa de mim, ele tem que ser muito maldoso, muito maldoso. Tem que ser de uma maldade que extrapola a falta de educação. Mas é o último recurso. Eu normalmente só faço quando falam mal da minha família ou amigos, mas é muito raro. 


 Sobre os shows que você tem feito, eles serão gravados? Haverá um EP no final do ano ou um DVD? 

 A gente está gravando todos os shows dessa despedida aí, os áudios, e também alguma coisa de vídeo. 

Eu adoro editar áudio. Então eu vou ter 20 e poucos takes do show completo, pra poder montar a versão “perfeita” que eu sempre quis de cada música. Eu gostaria de poder mostrar também, provavelmente só na plataforma digital, o quanto o repertório (o mesmo do DVD) evoluiu. O que a estrada faz com o repertório. No sentido da música amadurecer, os arranjos amadurecerem. 

Agora, o que eu vou lançar como EP é o meu Sony Music Live, com uma proposta diferente. Eu realmente quero fazer 100% ao vivo. Vou fazer provavelmente como Piano e Voz, e vão entrar nele pelo menos 6 ou 7 músicas. 


 Sobre esse seu novo selo, LG7, que está sendo lançado em pareceria com a Sony Music, você chegou a se envolver na produção dos artistas ou apenas está na gestão? 

 Tem até a parte de curadoria, no sentido de escolher os artistas que eu quero perto de mim, nesse sentido, nesse nível. Influencio o tanto quanto eles me permitam influenciar. Eles todos chegam muito prontos. Estevão Queiroga, como exemplo, eu influenciei, eu ouvi a mixagem versão 4, depois foi até a 11. Não consegui acompanhar todas, mas meu irmão acompanhou. Dei meu feedback do que eu achava que poderia melhorar. Isso foi uma influência sim. 

Os arrais sempre me mostram a mixagem, pra eu dar minha opinião, ajudar a direcionar. Porque é uma coisa que eu gosto muito de fazer, que é a pós produção. É que particularmente eu criei uma boa experiência, de o que pedir pros engenheiros, pra chegar no melhor resultado possível. 

Mas no caso do Estevão, quando ele me mostrou o disco, ele já tinha 2 clipes gravados. Aí eu falei “Cara, o primeiro clipe tinha que ser dessa música”. Ele acatou minha opinião e fez da primeira música de trabalho e o clipe o que eu achei que deveria ser. Então esse tipo de influência sim. 

No caso do Gabriel Iglesias, eu praticamente não influenciei nada. Ajudei um pouquinho na ordem do disco. Ele tinha um conceito diferente. Conversamos um pouco e ele acatou algumas das minhas idéias. Uma música que ele não ia por no disco, ele acabou colocando porque eu gostei muito dela e que mostra um outro lado dele.

No caso do Felipe Valente, esta tudo gravado. Eu ouvi algumas vezes no meio do projeto, dei algumas dicas também. Em produção, eu acho que o meu forte é a pós produção. Na parte criativa eu influencio muito pouco, porque eu acho que o tipo de artista que eu quero trabalhar já vem muito pronto e já sabe muito bem o que quer, além de uma identidade própria. Mas eu acho que tenho condições de ajudar na pós produção, mixar, o que dizer ou que pedir. 

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Comentários
2 Comentários

2 comentários

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6 de maio de 2016 19:31 ×

Não dou dois anos pra ele voltar a cantar kkkkkkk

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Anônimo
admin
7 de maio de 2016 11:11 ×

Eu penso que é uma estratégia de marketi.. pq ele vai fazer tudo isso e voltar fazendo o sucesso que Adele fez, essse com certeza é o objetivo

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Obrigado pelo seu comentário
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