Análise: CD "És Meu Tudo" - Ministério Sarando a Terra Ferida de Nova Iguaçu

O Ministério Sarando a Terra Ferida conseguiu se estabelecer rapidamente como um dos maiores do gênero, graças a bem sucedida junção de ótimos trabalhos e um contrato com uma das maiores gravadoras cristãs do país. 

Em um momento crítico onde outros ministérios importantes como o Renascer Praise, Toque no Altar e Diante do Trono deixavam a desejar em seus mais recentes materiais ou viviam conflitos internos, o grupo surgiu em pouco mais da metade da década passada suprindo a necessidade de boas canções para serem entoadas em ministérios de louvor e grupos das igrejas. 

A repercussão que o ministério obteve com o disco de estreia "Seja Adorado" e sua faixa título foi multiplicada no trabalho sucessor "O Novo de Deus", escancarando as postas para o grupo por todo o país e fazendo com que a canção titular fosse ouvida com frequência até mesmo nos dias atuais nas igrejas evangélicas e rádios do meio.

Sequencialmente, um dos trabalhos mais maduros e elogiados do ministério, "Tempo Favorável", chegaria ao mercado mostrando de forma mais aflorada que os mesmos se destacavam principalmente com músicas diferentes em conteúdo lírico e a interpretação inconfundível de suas integrantes. Fato que se repetiu nos dois discos sequenciais do ministério.

Até que, surpreendentemente, o ministério lança de forma intimista o álbum "Deus do Secreto", que caminhou lentamente com sua música título até atingir um sucesso extraordinário onde a mesma se encontrou entre as mais pedidas das rádios do país e é frequentemente entoada nos cultos das igrejas de várias denominações, se estabelecendo como o maior sucesso do ministério. Mas o álbum foi lançado há dois anos atrás, já estando na hora de um material inédito, né?

O disco intitulado por "És Meu Tudo" é o sétimo trabalho inédito do ministério que, entre uma formação e outra, atualmente é composto por Francielli Santos, Polly Campos, Rafael Magno, Daniel Marinho e Paulo Sérgio, marcando ainda a permanência de dez anos do grupo na gravadora MK Music, que se responsabiliza pela distribuição e divulgação da obra. 

Trazendo dez faixas produzidas por Wagner Derek, o ministério decidiu continuar firme e forte em sua parceria de composições com Marcelo Bastos, escritor de grande parte das músicas de sucesso do grupo, mas também estreia no material a Interessante colaboração do Pastor Lucas nas canções do ministério.

O projeto gráfico vem assinado pela gravadora do grupo, que nunca teve como forte a criatividade na elaboração de seus encartes, mas trouxe na capa do material um conceito bacana onde vemos a imensidade do céu ocupando boa parte da mesma, fazendo alusão a grandiosidade de Deus e sua presença perceptível em nossa vida. As fotografias da obra ficaram por conta de Ronaldo Rufino. 

Vamos falar sobre as melhores canções presentes no material agora. Preparados?!


01. Morrer Pra Viver | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 4:45 

Não somente a faixa introdutória do material, também temos a canção escolhida para a importante missão de abrir as divulgações do disco nas rádios, já alcançando bons resultados nas programações e elogios diversos por parte do público. 

Em suas estrofes iniciais ouvimos sobre a luta diária que um cristão vive para deixar que a vontade de Deus em nossa vida prevaleça sobre a nossa vontade oriunda da carne. Já em seu refrão, de forma repetitiva, ouvimos que devemos morrer para nós mesmo com o intuito de viver para Cristo. 

Mesmo com a aposta arriscada do refrão principal de trazer algo repetidamente, a música se destaca com sua mensagem forte e o ponto mais negativo que eu possa enxergar na canção ironicamente contribui para que a música se torne memorável para as pessoas e não saia de suas cabeças. 

"Todo dia um gigante para eu derrubar / Todo dia esse mundo quer me desviar / Estou lutando contra minha vontade / Estou tentando matar a minha carne, Senhor".

A dúvida de se a canção tem calibre para repetir o último grande sucesso do ministério persiste, mas um certo reconhecimento por ser boa a música promete receber.


02. Sara-me | Composição: Amos Nunes | Duração: 4:51 

A passagem bíblica da mulher do fluxo de sangue, curada após romper a multidão e tocar nas vestes de Jesus, é base para a composição de muitas canções incluídas em trabalhos de ministérios de louvor, tendo aqui mais uma música para usar como exemplo. 

Em sua letra, o contexto da história é somado a um clamor para que Deus sare nossas feridas que não podem ser curadas através de outros métodos, sendo uma bela canção mesmo com seu conteúdo lírico mais do que saturado no gênero.

Não deve ser utilizada pela gravadora como uma das próximas músicas de trabalho do material por uma questão comercial, mas isso não impede que os admiradores do ministério interpretem a faixa em suas igrejas.


03. Lá Na Cruz | Composição: Pastor Lucas, Francielli Santos, Rafael Black e Polly Campos | Duração: 5:40 

O argumento do repetitivo uso de um tema como na canção anterior poderia ser usado nessa faixa, se o conteúdo desta não fosse extremamente necessário em qualquer disco de qualquer artista que se intitule evangélico, pois a mensagem da cruz e do imenso amor de Jesus por nós devem estar empregados nos trabalhos do gênero, mesmo com toda a visão comercial que uma obra musical exige atualmente. 

E cá entre nós, ouvir sobre o profundo e imerecido amor que nós recebemos lá do alto nunca é demais, né? 

Inicialmente ouvimos nas estrofes sobre o sacrifício de Jesus na cruz em prol da remissão dos nossos pecados, e no refrão sobre a consequência do ato onde nos tornamos filhos e, mesmo não merecedores, receptores de seu extraordinário amor.

A canção se tornou uma das preferidas do público do ministério e, se continuar assim, pode ser escolhida brevemente com faixa de trabalho do álbum nas rádios do país e executada massivamente nas ministrações do grupo em igrejas. 

"Lá na cruz me enxergou / Além dos meus pecados / Com olhar de amor / Lá na cruz se entregou / Não pelo que eu era, mas pelo que agora sou".


04. És Meu Tudo | Composição: Pastor Lucas e Daniel Marinho | Duração 5:39 

A música que intitula a obra também se tornou a primeira do material que me chamou atenção por sua produção musical, se destacando por conta de seus arranjos de cordas que casaram bastante com o tema íntimo e reflexivo que o conteúdo lírico da faixa carrega. 

Em seus versos iniciais ouvimos principalmente sobre o imenso e grandioso poder que Deus detém, e no refrão sobre o cuidado extraordinário que Ele tem por nossas vidas resultando em sua totalidade em nós. 

Mostrando assim o contraste de um Deus que pode segurar toda terra na palma de suas mãos ou fazer com que tudo venha se extinguir em segundos, mas também se importa com detalhes pequenos como um coração ferido ou com o bem estar de cada um de nós. 

É uma música bastante profunda, assim como boa parte das faixas do material justificando sua escolha titular, e pode ser usada principiante em nossos momentos de oração e intimidade com Deus, pois fala basicamente tudo aquilo que precisamos dialogar com Ele nessas horas.

"Se eu me perder és minha salvação / Se eu cair tu me estendes a mão / És meu tudo. / Se no mais profundo abismo eu chegar / O teu olhar de amor me encontrará / És meu tudo."


05. Casa do Oleiro | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 5:29 

Com uma das introduções mais belas do material, essa música também chega avisando que estamos na metade da obra atingida pela redução de faixas que tomou os últimos álbuns do mercado. 

Levando um tema não muito distante dos anteriores, sua letra fala sobre sermos vasos realizados pelas mãos do Senhor, não sendo nós o que o mundo pensa o intitula que somos. 

Foi a música menos interessante do material até agora para mim, apesar de já ter visto comentários positivos de admiradores do ministério para tal canção.


06. Resplandecente Luz | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 4:38 

Com a ausência de uma introdução antecedendo os versos iniciais, a letra se baseia na persistência de Jesus no plano para tirar nossa vida da escuridão, vindo a terra e se preparando para o sacrifício na cruz que traria nossa redenção, sem desistir do ato. 

É mais uma faixa do material que aposta em trechos repetitivos, mas não se sai tão bem com a tentativa como na música de trabalho da obra.


07. Te Quero Deus | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 3:52 

A qualidade musical do álbum volta na sétima canção, sendo ela a primeira totalmente animada da obra e que poderia ter sido facilmente usada como faixa de abertura, mas provavelmente foi posta nessa posição estrategicamente para não deixar que ninguém desista do disco pelo excesso de canções mais lentas postas em sequência anteriormente. 

Os vocais da canção se iniciam com a interpretação de um dos intérpretes masculinos do ministério, somados com a voz de Francielli Santos mais tarde.

Na letra ouvimos sobre um desejo ardente em buscar mais de Deus, em qualquer hora ou momento, e sua produção lembra bastante a de outros ministérios e cantores que tem apostado no estilo Worship em seus últimos materiais, tornando a música fácil de ser incluída em momentos de louvor em cultos de jovens e afins.

"Em tudo te vejo / Em tudo te sinto / Em tudo te quero / Em tudo te vivo. / Os meus sentidos são atraídos pra algo bem maior que eu / Eu sei a razão, só não sei como explicar / Só sei que te quero Deus".


08. Ora Vem (Maranata) | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 4:44

O ministério deixou um dos maiores tesouros da obra quase no finalzinho do disco, mas isso não impede a boa faixa de estar entre os primeiros lugares nas rádios, caso escolhida como música de trabalho nas programações. 

É sempre bom ouvir sobre a breve volta de Jesus para buscar sua igreja, e sobre como será na nossa vida eterna no céu, apesar de que nenhuma canção deve conseguir descrever com precisão esse momento, mas essa aqui deve ter chegado perto, viu? 

Nos trechos finais da música foi incluído os versos do hino "O Rei está voltando", que mesmo já sendo algo usado em outras canções sobre o arrebatamento, ainda sim somou para a excelência da faixa.

Essa é uma das músicas que caem como uma luva para que os corais e ministérios de louvor das igrejas do país insiram em seus repertórios. 

"E eu verei a face da estrela da manhã / O cordeiro que venceu / Yeshua, Hamashia / Jesus Cristo, o Messias".


09. Revestido | Composição: Francielli Santos, Rafael Black, Grande e Pastor Lucas | Duração: 3:42 

Mais uma canção de celebração presente na lista de faixas do álbum, e sua letra fala sobre estar revestido contra as adversidades e males que enfrentamos.

Poderia ter sido entregue para o repertório de álbuns infantis de outras intérpretes como Aline Barros, Cristina Mel ou Vaneyse, e, sim, foi escrita por quatro pessoas, incrivelmente inferior a faixa animada anterior escrita por um só.


10. Linda História | Composição: Marcelo Bastos | Duração: 5:42 

Para que a imagem do disco não fique distorcida em nossa mente com a faixa anterior, uma das mais bem escritas do disco foi deixada para fechar o mesmo com chave de ouro. 

Inicialmente, ouvimos em sua letra sobre as várias tentativas que executamos até que as promessas de Deus se cumpram em nossas vidas, mas que entre uma marca e outra, é necessário não desistir e esperar a glória da segunda casa, sem manchar o que Deus tem escrito para nossas vidas. 

É mais um dueto dividido entre a vocalista principal do ministério e um dos integrantes do mesmo, que antecede os versos em conjunto com uma boa interpretação solo inicial. 

Um momento de quebrantamento e ministração é inserido no meio da música, sendo acompanhado ao fundo pelo vocal e sendo um dos pontos mais bacanas da canção. 

"Sei que a glória da segunda casa vai mudar o meu opróbrio / A glória da segunda casa vai me levantar, vai me levantar / Meu Deus não falhará".


O Sarando a Terra Ferida sempre foi visto por mim como um ministério bastante comercial, uma vez que outros preferem incluir em seus discos faixas longas ou com a presença abundante de espontâneos e ministrações. Em contra partida, e mais visto ainda nesse álbum, o ministério aposta em canções de fácil entrada nas igrejas do país, assim como nas rádios evangélicas de cada estado. 

Esse álbum é um dos mais recheados de músicas que são possíveis próximos sucessos do grupo como "Lá na Cruz", "Ora Vem (Maranata)", "És Meu Tudo" e outras da obra, não precisando citar a música de abertura, usada como faixa de trabalho estrategicamente. 

É certo que alguns deslizes são encontrados entre as dez faixas do disco, o que não deveria haver, já que a redução de músicas leva ao caminho de que as "enche linguiças" são retiradas dando lugar somente as músicas de qualidade no material. 

O ministério soube aproveitar as portas que "Deus do Secreto" escancarou para eles, agora é só aguardar a receptividade do público em massa.

Por Herick Marques Diener
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